Bits #102

No BITS #102, Fábio Xavier e Andressa Carvalho explicam como a inteligência artificial e os deepfakes estão sendo usados nas eleições de 2026, o que revela o projeto VigIA, quais são as regras do TSE e como verificar vídeos antes de compartilhar.

Podcast BITS · Episódio 102

IA nas eleições 2026: aquele vídeo do candidato é real?

No BITS #102, explicamos como a inteligência artificial e os deepfakes estão sendo usados nas eleições de 2026, o que os dados do primeiro turno revelam, quais são as regras do TSE e como verificar um vídeo antes de apertar “encaminhar”.

Inteligência ArtificialDeepfakesEleições 2026DesinformaçãoSegurança Digital
Fábio Correa Xavier + Andressa Carvalho7 de outubro de 2026Apartidário

Assista ou ouça

O episódio completo.

IA nas eleições, deepfakes, regras do TSE, checagem e um roteiro simples para não virar parte da corrente.

O que já aconteceu

Deepfakes nas eleições de 2026: o que os dados do primeiro turno mostram.

O projeto VigIA, da Agência Lupa em parceria com o Recod.ai da Unicamp, monitorou o uso de inteligência artificial nas eleições de 2026 e encontrou presença ampla de conteúdo sintético. Deepfake é um vídeo, áudio ou imagem criado ou alterado com IA para fazer uma pessoa parecer dizer ou fazer algo que não ocorreu.

554deepfakes identificados na campanha do primeiro turno.
920publicações com uso confirmado de IA entre 16/8 e 28/9.
40%dos conteúdos com IA tinham algum tipo de sinalização.
29deepfakes vieram de perfis de candidatos ou partidos; a grande maioria veio de outros perfis.

O problema não é um partido. É a facilidade de fabricar algo convincente — e fazer isso circular antes da checagem.

Leitura correta dos números: 554 são os deepfakes identificados. O universo maior do VigIA teve 920 conteúdos com uso de IA confirmado; 371 estavam sinalizados e 549 não estavam.

O que a regra consegue — e o que escapa

Quais são as regras do TSE para IA e deepfakes nas eleições de 2026?

Mas regulamentar uma campanha oficial é diferente de controlar toda conta anônima, avatar ou usuário comum que publica e compartilha conteúdo.

01

IA precisa ser identificada

Na propaganda eleitoral, conteúdo sintético produzido ou manipulado com IA deve trazer informação explícita, destacada e acessível sobre a manipulação.

02

Deepfake eleitoral é vedado

As regras proíbem conteúdo que faça uma pessoa real parecer dizer ou fazer algo que não ocorreu quando usado de modo proibido pela regulamentação eleitoral.

03

Janela crítica: 72h + 24h

Novos conteúdos sintéticos com imagem, voz ou manifestação de candidatos ou pessoas públicas não podem ser publicados ou republicados nas 72 horas antes e 24 horas depois do pleito, mesmo rotulados.

04

IA não deve escolher por você

Provedores que oferecem sistemas de IA não podem fornecer recomendação de candidaturas ao eleitor, mesmo quando ele pede diretamente.

05

Vozes protegidas

O TSE firmou acordo com a ElevenLabs para bloquear clonagem não autorizada de vozes cadastradas e apoiar o rastreamento de áudios gerados na própria plataforma.

06

Uma ferramenta não é toda a internet

O próprio acordo com a ElevenLabs deixa claro que seus compromissos de fiscalização se limitam ao conteúdo gerado por seus sistemas, não a ferramentas de terceiros.

Quando até a verdade vira suspeita

O deepfake cria uma segunda ameaça: o “dividendo do mentiroso”.

Se todo vídeo pode ser falso, uma gravação verdadeira também pode ser rejeitada com uma frase conveniente: “isso foi feito por IA”.

O conceito foi cunhado pelos pesquisadores Bobby Chesney e Danielle Citron e descreve justamente essa vantagem: a existência de deepfakes torna mais plausível negar evidências autênticas. Estudos posteriores encontraram evidências de que alegações falsas de “fake news” ou “deepfake” podem proteger figuras públicas de responsabilização em certos contextos.

A saída não é acreditar em tudo. Também não é desconfiar de tudo. É saber onde checar.

Quanto mais um conteúdo provoca raiva, medo ou euforia, maior deve ser o cuidado antes de compartilhar. O objetivo de uma peça enganosa nem sempre é convencer todo mundo; muitas vezes basta chegar primeiro.

Teste dos 10 segundos

Antes de encaminhar, pare e marque o que você checou.

Não é detector de deepfake. É um freio cognitivo: um jeito simples de reduzir a chance de transformar desinformação em corrente.

Índice de checagem: 0%

Marque os itens que você realmente verificou.

A Cereja do BITS

Três passos. Um bônus. E um mantra.

“Quanto mais um vídeo te emociona, mais ele precisa provar que é verdade.”

Não encaminhe no impulso

Recebeu áudio ou vídeo de candidato que causou raiva ou euforia? Pare. Pesquise o assunto e procure checagens antes de amplificar.

Confira a origem

Busque a fala completa, a conta oficial e registros independentes. Desconfie de recortes perfeitos demais e legendas apelativas.

Denuncie em vez de amplificar

Use o canal adequado: Siade para desinformação sobre integridade eleitoral; Pardal para propaganda eleitoral irregular e questões ligadas a candidaturas.

Bônus prático · WhatsApp

Controle quem pode colocar você em grupos.

Em Configurações → Privacidade → Grupos, escolha “Meus contatos” ou “Meus contatos, exceto…”. Isso reduz inclusões diretas indesejadas em grupos. A configuração não impede que alguém envie um link de convite — entrar por link continua sendo uma decisão sua.

Desafio final

Você consegue separar regra, fato e reação?

Cinco perguntas. Cada acerto vale 12 pontos.

1. O VigIA identificou quantos deepfakes na campanha do primeiro turno?

2. Quantos dos 920 conteúdos com IA estavam sinalizados?

3. Na janela de 72 horas antes do pleito, conteúdo sintético novo com imagem ou voz de candidato pode circular se estiver rotulado?

4. O que é o “dividendo do mentiroso”?

5. Qual é a melhor primeira reação a um vídeo eleitoral que te deixa muito indignado?

Perguntas frequentes

IA nas eleições 2026: dúvidas sobre deepfakes e desinformação.

O que é um deepfake?

É conteúdo audiovisual criado ou manipulado com técnicas de inteligência artificial para fazer uma pessoa real parecer dizer ou fazer algo que não aconteceu.

Deepfake é proibido nas eleições de 2026?

As regras eleitorais proíbem o uso de deepfakes em propaganda eleitoral nos termos da regulamentação do TSE e exigem identificação clara de conteúdo sintético permitido. Há ainda restrições específicas nas 72 horas anteriores e 24 horas posteriores ao pleito.

Todo conteúdo feito com IA é deepfake?

Não. O VigIA identificou 920 conteúdos com uso de IA e 554 deepfakes. Conteúdo sintético pode usar IA sem necessariamente atribuir a uma pessoa uma fala ou ação falsa.

Como denunciar desinformação eleitoral?

O Siade é voltado a alertas de desinformação que possam afetar a integridade do processo eleitoral. Questões ligadas a propaganda irregular, candidatos, partidos e pesquisas devem ser encaminhadas pelo Pardal, conforme orientação do TSE.

Como saber se um vídeo eleitoral é falso?

Não dependa de um único detector. Procure a origem, a gravação completa, registros independentes e checagens profissionais. O contexto e a proveniência são tão importantes quanto sinais técnicos de manipulação.

O que é o dividendo do mentiroso?

É o efeito pelo qual a existência de deepfakes torna mais fácil negar gravações verdadeiras, alegando que foram fabricadas por IA.

Como limitar convites para grupos no WhatsApp?

No celular, acesse Configurações → Privacidade → Grupos e escolha “Meus contatos” ou “Meus contatos, exceto…”. Isso limita quem pode adicionar você diretamente a novos grupos.

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BITS #102

Antes de apertar “encaminhar”, pare dez segundos.

A IA pode fabricar o vídeo. Quem decide transformar aquilo em corrente ainda é uma pessoa. Assista ao episódio, compartilhe com o grupo da família e ajude a trocar velocidade por verificação.