Shadow Code

Novo artigo no IT Forum

Código gerado por IA virou Shadow Code.

Seu CIO sabe quanto existe em produção? A pergunta deixou de ser se os times usam IA para programar. Agora é saber onde esse código está, quem o verificou e qual risco ele carrega.

Inteligência artificial CIO & CISO Governança de TI DevSecOps Supply chain
A mudança de paradigma
Ninguém governa o que não consegue enxergar.

Se amanhã o Conselho perguntar quanto do software crítico foi produzido com assistência de IA, a organização consegue responder com evidências, e não com estimativas?

O que é Shadow Code?

Shadow Code é o código criado ou alterado com assistência de inteligência artificial sem visibilidade, rastreabilidade ou controles suficientes da organização. O risco surge quando software gerado por IA chega a repositórios e produção sem evidência clara sobre origem, modelo utilizado, revisão humana, testes, dependências e responsabilidade pela aprovação.

Assim como o Shadow IT colocou aplicações fora do radar da governança, o Shadow Code pode colocar código gerado por IA fora do radar do CIO, do CISO, da arquitetura, da segurança e da auditoria. A resposta não é proibir copilotos, mas incorporar proveniência e verificação ao ciclo de desenvolvimento.

Base documental

O problema não é hipotético. A pesquisa já mostra onde a confiança pode falhar.

A página complementa o artigo publicado no IT Forum com pesquisas primárias e referências de segurança de software. O objetivo não é demonizar a IA, e sim colocar rastreabilidade, revisão e controle proporcional no mesmo ritmo da geração de código.

5,2%

Pacotes alucinados em modelos comerciais

O estudo de package hallucinations encontrou taxa mínima de 5,2% entre modelos comerciais avaliados.

USENIX Security 2025 ↗
21,7%

Nos modelos open source avaliados

A mesma pesquisa observou taxa mínima de 21,7%, reforçando que a ameaça depende do modelo e do contexto.

Ver pesquisa ↗
576 mil

Amostras de código analisadas

O trabalho avaliou 16 LLMs, Python e JavaScript, para estudar persistência e risco das dependências inventadas.

Metodologia ↗
↑ confiança

Mesmo quando o código era menos seguro

Em estudo com usuários, participantes com assistente de IA produziram código menos seguro e tenderam a acreditar mais na segurança do resultado.

Perry et al. ↗
NIST / DevSecOps

IA exige revisão humana e rastreabilidade

O NIST destaca que conteúdo gerado por IA precisa ser monitorado e validado, com mecanismos capazes de rastrear modelos, alterações, evidências e aprovações ao longo do ciclo de desenvolvimento.

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CISA / Supply chain

Transparência de dependências é parte do controle

Práticas de SBOM e segurança da cadeia de software existem para tornar componentes e dependências visíveis. O Shadow Code amplia a necessidade de saber também a proveniência da própria geração.

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01
O paralelo histórico

A TI já viveu essa história. Só que agora o software é criado em velocidade de máquina.

Nos anos 1990, planilhas e bancos departamentais democratizaram a criação de sistemas. Funcionavam, cresciam e viravam infraestrutura crítica antes que a organização percebesse que dependia deles. O problema não era a ferramenta. Era o artefato de alta consequência fora do campo de visão da governança.

ANOS 1990
Excel + Access Criação descentralizada de aplicações, pouca documentação, dono informal e dependências escondidas.
ANOS 2010
Open source + pacotes O software passa a depender fortemente de componentes de terceiros e a cadeia de suprimentos ganha centralidade.
ANOS 2020
IA generativa O código nasce mais rápido, por mais pessoas e com uma camada adicional: modelo, prompt, contexto e sugestões que também precisam de governança.
A inovação não precisa ser proibida. Precisa ser trazida para a luz antes de se tornar dependência crítica.

Shadow Code

  • Não há inventário confiável de onde IA foi usada.
  • Revisão depende de prática individual.
  • Dependências entram sem validação suficiente.
  • O modelo usado não faz parte da evidência do software.

AI-assisted SDLC governado

  • Uso de IA é registrado como parte da proveniência.
  • Controles variam conforme criticidade e impacto.
  • Dependências são verificadas e repositórios são controlados.
  • Revisão, testes e evidências acompanham a velocidade da geração.
02
O paradoxo da produtividade

A IA desloca trabalho de escrever para verificar. E verificar é exatamente onde a organização não pode economizar.

Assistentes de código podem acelerar protótipos, testes, refatoração e implementação. Mas produtividade de digitação não é sinônimo de confiabilidade. Quando o artefato nasce rápido, a disciplina de revisão precisa se tornar ainda mais explícita.

O estudo de Neil Perry e coautores encontrou uma combinação especialmente relevante para líderes: participantes com acesso ao assistente produziram, no experimento, soluções menos seguras e ao mesmo tempo demonstraram maior confiança na segurança do que haviam produzido.

O risco não está em usar IA. Está em transformar fluência do modelo em confiança técnica sem evidência.
Tradutor para o board

Como explicar o Shadow Code em linguagem executiva

Linguagem para o Conselho

“Hoje não conseguimos demonstrar qual parcela do software crítico recebeu contribuição de IA, quais modelos foram usados e se o nível de revisão foi proporcional ao impacto do sistema.”

03
Um risco sem equivalente na era do Access

Quando a IA inventa uma dependência, um erro estatístico pode virar um endereço para o atacante.

Modelos de geração de código podem sugerir pacotes que não existem. Se certos nomes inventados reaparecem com consistência, um atacante pode registrar um pacote malicioso com aquele nome e esperar que uma futura recomendação conduza alguém até ele. A literatura descreve esse vetor como package hallucination, associado ao chamado slopsquatting.

PASSO 1Modelo sugereUma solução inclui um pacote que não existe no repositório oficial.
PASSO 2Nome se repeteA mesma alucinação aparece de forma previsível em prompts semelhantes.
PASSO 3Atacante registraUm pacote malicioso ocupa o nome antes inexistente.
PASSO 4Dev confiaO desenvolvedor instala a dependência sugerida pela IA.
PASSO 5Supply chainO código malicioso entra no ambiente por uma recomendação aparentemente legítima.

Esse cenário não torna SBOM, SCA ou varredura de vulnerabilidades inúteis. Pelo contrário: mostra que o controle de dependências precisa começar antes da instalação, com repositórios permitidos, verificação de integridade, políticas para pacotes novos e revisão de proveniência.

04
O risco muda de geometria

O problema não é apenas código vulnerável. É vulnerabilidade produzida e replicada em escala.

Erros humanos costumam ser diversos. Equipes diferentes falham de formas diferentes. Modelos amplamente usados podem introduzir o efeito oposto: o mesmo padrão inseguro ser sugerido muitas vezes, em diferentes equipes e repositórios, criando exposição correlacionada.

Ao mesmo tempo, agentes e automação reduzem o custo operacional do ataque e comprimem a janela disponível para defesa.

Modelo mental antigo

  • Código nasce em ritmo predominantemente humano.
  • Revisão manual absorve boa parte das mudanças.
  • Falhas tendem a se distribuir de forma mais heterogênea.
  • O atacante depende mais de exploração artesanal.

Modelo operacional atual

  • Assistentes ampliam drasticamente o volume produzido.
  • Pipelines precisam automatizar evidências e controles.
  • Padrões de modelo podem criar falhas correlacionadas.
  • A automação ofensiva também comprime a janela de defesa.
05
Governança não é freio

A resposta não é banir copilotos. É tratar proveniência, criticidade e verificação como parte do produto.

O método que amadureceu para Shadow IT continua útil: inventariar, classificar por materialidade, estabelecer responsáveis e concentrar controles onde a consequência é maior. Um protótipo descartável e um serviço de autenticação não podem seguir exatamente o mesmo regime.

01

Proveniência

Registrar uso de IA, modelo, ferramenta, contexto relevante e etapa do ciclo em que houve contribuição automatizada.

02

Criticidade

Aplicar exigências maiores a código com impacto financeiro, identidades, dados pessoais, segurança ou continuidade.

03

Revisão

Definir revisão por pares, testes, SAST, SCA, secret scanning e evidências mínimas conforme o risco.

04

Dependências

Usar lockfiles, registros internos ou aprovados, verificação de integridade e quarentena de pacotes novos quando aplicável.

05

Pipeline

Fazer do CI/CD o ponto de aplicação automática da política, reduzindo dependência de memória e disciplina individual.

06

Métricas

Medir cobertura de revisão, origem, exceções, vulnerabilidades e tempo de correção, não apenas linhas de código produzidas.

Se a IA torna a geração mais barata, parte do ganho precisa ser reinvestida em verificação. Caso contrário, a organização apenas acelera a criação de dívida e risco.
Playbook executivo

Um plano de 90 dias para tirar o Shadow Code das sombras

Não é necessário começar por uma política de dezenas de páginas. Comece pela visibilidade, conecte controles ao pipeline e crie um regime proporcional à consequência do software.

1Mapear assistentes de código, extensões, IDEs e serviços de IA efetivamente usados pelos times.
2Identificar aplicações críticas e priorizar onde a falta de proveniência representa maior risco.
3Definir uma taxonomia simples: protótipo, interno, material, crítico e exposto à internet.
4Criar regra mínima de declaração de uso de IA em pull requests ou registros equivalentes.
1Transformar requisitos mínimos em controles automáticos no CI/CD, começando pelos sistemas críticos.
2Exigir SAST, SCA, secret scanning e testes relevantes para mudanças com contribuição de IA.
3Adotar lockfiles e políticas de integridade e procedência para pacotes e artefatos externos.
4Definir exceções formais e prazo de expiração para evitar que “temporário” se torne padrão permanente.
5Treinar desenvolvedores para revisar saídas de IA de forma adversarial, e não apenas funcional.
6Integrar segurança e arquitetura aos casos de maior materialidade sem criar gargalo para todo o portfólio.
1Publicar indicadores executivos: cobertura de proveniência, exceções, falhas e tempo de correção.
2Revisar amostras de código assistido por IA e comparar taxa de achados com o baseline anterior.
3Testar controles contra dependências inexistentes, pacotes recém-criados e fontes não aprovadas.
4Incluir Shadow Code no mapa de risco tecnológico e na linguagem usada com auditoria e Conselho.
5Definir critérios para adoção de novos modelos e ferramentas com base em evidência, não apenas produtividade.
6Revisar trimestralmente o regime de controles à medida que modelos, agentes e práticas de desenvolvimento evoluem.
Diagnóstico executivo

Sua organização enxerga o código que a IA está ajudando a colocar em produção?

Marque apenas o que já existe de forma verificável. Intenção, orientação informal ou “o time costuma fazer” não contam como capacidade demonstrada.

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Shadow Code sem visibilidade demonstrada

Este diagnóstico é uma ferramenta de sensibilização executiva e não substitui avaliação formal de segurança, arquitetura, SDLC, risco, auditoria ou conformidade.

Continue a análise

IA, cibersegurança e liderança tecnológica

Shadow Code é apenas uma parte de uma transformação maior: sistemas mais autônomos, ataques mais rápidos e uma governança que precisa acompanhar a velocidade da inteligência artificial.

Perguntas frequentes

Shadow Code, código gerado por IA e governança

O que é Shadow Code?

É o código criado ou alterado com assistência de IA sem visibilidade, proveniência, revisão ou controles suficientes para que a organização saiba onde ele está, como foi produzido e qual risco representa.

Código gerado por inteligência artificial é inseguro?

Não necessariamente. O risco aumenta quando a fluência do modelo é confundida com correção técnica e quando o código entra em produção sem revisão humana, testes, análise de dependências e controles proporcionais à criticidade.

Como CIOs e CISOs podem governar código gerado por IA?

Começando por inventário e proveniência, classificando aplicações por materialidade, registrando o uso de IA, automatizando SAST, SCA e secret scanning no pipeline e exigindo evidências de revisão e testes para sistemas críticos.

O que são package hallucinations e slopsquatting?

Package hallucination ocorre quando um modelo sugere uma dependência que não existe. Slopsquatting descreve o risco de um atacante registrar esse nome e transformá-lo em um pacote malicioso que pode ser instalado por quem confia na recomendação da IA.

É preciso proibir copilotos e assistentes de programação?

Não. A abordagem mais sustentável é governar o uso conforme o risco, com rastreabilidade, políticas de dependências, revisão, testes e controles automáticos no ciclo de desenvolvimento.

Fábio Xavier, autor e palestrante sobre inteligência artificial, cibersegurança e liderança tecnológica

Sobre Fábio Xavier

CIO, professor, autor e palestrante. Escreve sobre inteligência artificial, cibersegurança, governo digital, governança e liderança tecnológica em veículos como IT Forum e MIT Technology Review Brasil.

Fábio Xavier, palestrante sobre inteligência artificial, cibersegurança e liderança tecnológica
Palestras para líderes, conselhos e equipes

Leve o debate sobre Shadow Code, IA e cibersegurança para a sua liderança.

Fábio Xavier realiza palestras para conselhos, CIOs, CISOs, executivos e equipes sobre inteligência artificial, Shadow Code, cibersegurança, governança e liderança tecnológica, conectando decisões técnicas a risco, estratégia, continuidade e geração de valor.