#arXvi: Sensorial zero trust: por que nossos sentidos não são mais confiáveis
No contexto atual, em que deepfakes e clonagens de voz geradas por inteligência artificial alcançam níveis de realismo impressionantes, torna-se imperativo repensar a confiança implícita que depositamos em nossas percepções sensoriais. O meu novo artigo “The Age of Sensorial Zero Trust: Why We Can No Longer Trust Our Senses”, publicado no ArXvi, da renomada Cornell University, propõe um novo paradigma de segurança, o Sensorial Zero Trust, que estende os princípios de “nunca confiar, sempre verificar” ao domínio da visão e da audição humanas .
O conceito fundamenta-se em evidências empíricas que apontam para um aumento global de 1000 % em incidentes de deepfake entre 2022 e 2023, sendo 830 % desse crescimento registrado no Brasil . Diante desse cenário, a confiança automática em uma imagem ou em uma chamada de voz deixa de ser um ativo e passa a ser um vetor de vulnerabilidade, especialmente em transações de alto risco.
Para mitigar tais ameaças, o Sensorial Zero Trust estrutura-se em pilares que incluem verificação fora de canal, autenticação multifatorial estendida, autenticação contínua baseada em biometria comportamental e uso de tecnologias automatizadas de detecção de deepfakes . A verificação fora de canal, por exemplo, exige confirmação de solicitações sensíveis por meio de um meio de comunicação independente do canal original, elevando substancialmente a barreira para agentes maliciosos.
Além dos controles tecnológicos, o artigo destaca a importância do treinamento de colaboradores para criar uma cultura de ceticismo metódico, na qual questionamentos e solicitações de segunda opinião sejam valorizados e incentivados pela liderança . Dessa forma, a organização incorpora uma postura de “assumir invasão” não apenas em redes e sistemas, mas também nas informações perceptivas, fortalecendo sua resiliência diante de ataques cada vez mais sofisticados.
Convido os leitores a explorar o artigo completo em arXiv (ID 2507.00907), disponível em https://arxiv.org/abs/2507.00907, para compreender em detalhes a fundamentação teórica, os casos paradigmáticos e as recomendações práticas que podem ser adotadas por empresas e instituições de todos os portes. A adoção do Sensorial Zero Trust representa um avanço estratégico na agenda de segurança, alinhando-se às diretrizes do NIST e às melhores práticas emergentes no combate à desinformação e à fraude baseada em IA.
